Fevereiro 16, 2026

Dor lombar crónica nas mães: uma abordagem fisioterapêutica

Dor lombar crónica nas mães: uma abordagem fisioterapêutica

Dor lombar crónica nas mães: uma abordagem fisioterapêutica

A dor lombar crónica é extremamente frequente após a maternidade. Muitas mulheres vivem com dor nas costas meses — ou até anos — depois do parto, normalizando o desconforto como “parte da maternidade”.
Mas sentir dor não é normal.
E não deve ser inevitável.

Sabia que muitas mães acreditam que a dor faz parte do pós-parto quando, na verdade, é muitas vezes sinal de falta de reeducação funcional adequada?

A fisioterapia tem um papel central na avaliação e tratamento da dor lombar crónica nas mães, considerando todas as alterações físicas, hormonais, emocionais e funcionais que ocorrem durante a gravidez e no pós-parto.

Porque surge dor lombar após a maternidade?

Durante a gravidez e no pós-parto, o corpo da mulher adapta-se profundamente. Estas adaptações são naturais e necessárias, mas quando não são acompanhadas por um processo de recuperação orientado, podem contribuir para a persistência da dor.

Já sentiu que o seu corpo “nunca mais voltou ao mesmo” depois da gravidez? Essa sensação é comum e tem explicação.

Alterações da gravidez e do parto 

Ao longo da gravidez, o corpo prepara-se para sustentar uma nova vida. A ação hormonal aumenta a laxidez ligamentar, o centro de gravidade altera-se, o core profundo perde eficiência e podem surgir alterações como diástase abdominal ou disfunções do pavimento pélvico.

Entre as alterações mais frequentes encontram-se:
– Aumento da laxidez ligamentar;
– Alterações posturais progressivas;
– Enfraquecimento do core profundo;
– Possível diástase abdominal;
– Alterações do pavimento pélvico.

Sabia que mesmo meses após o parto o corpo pode manter padrões de compensação se não houver reeducação específica?
Sem essa reeducação, a coluna lombar acaba por assumir carga excessiva e a dor pode instalar-se.

Sobrecarga nas tarefas do dia a dia

A maternidade é fisicamente exigente. Pequenos gestos repetidos ao longo do dia acumulam carga sobre a coluna.

Cuidar de um bebé implica:
– Pegar ao colo repetidamente;
– Dar banho e vestir;
– Empurrar carrinho;
– Amamentar ou dar biberão em posturas mantidas.

Já reparou que muitas vezes a dor surge ao final do dia? Isso não acontece por acaso. A repetição, associada a défices de controlo muscular, cria sobrecarga progressiva.

Falta de reeducação no pós-parto

Muitas mulheres têm acompanhamento durante a gravidez, mas e depois?

O pós-parto é uma das fases mais importantes para prevenir dor crónica futura. Sem avaliação funcional individualizada, o corpo adapta-se da forma possível, ou seja, nem sempre da forma mais eficiente.

É frequente não existir:
– Avaliação específica do core e da respiração;
– Trabalho orientado do pavimento pélvico;
– Reeducação de padrões de movimento;
– Estratégias para proteger a lombar nas tarefas diárias.

Com o tempo, as compensações acumulam-se.

Fatores emocionais e fadiga

O pós-parto é também uma fase de grande exigência emocional. A privação de sono, o stress e o cansaço acumulado aumentam a sensibilidade do sistema nervoso.

A dor não depende apenas de estruturas físicas, mas também do estado do sistema nervoso. Quer isto dizer que, mesmo sem lesão estrutural relevante, a dor pode tornar-se persistente quando o corpo permanece em estado de alerta.

Há sinais que não devem ser ignorados. Muitas mães descrevem:
– Dor mais intensa ao final do dia;
– Rigidez ao acordar;
– Sensação de instabilidade lombar;
– Dor ao levantar o bebé ou objetos mais pesados.

Se se identifica com estes sinais, o seu corpo pode estar a pedir intervenção.

Por que razão a dor se mantém? 

Em muitos casos, a dor lombar pós-parto não está associada a uma lesão estrutural grave. O que acontece é uma combinação de fatores:
– Défice de controlo motor;
– Alterações respiratórias;
– Fraqueza dos estabilizadores profundos;
– Padrões de compensação repetidos.

Tratar apenas o sintoma pode aliviar temporariamente, mas cuidado, porque não resolve a causa.

O que realmente ajuda

A recuperação exige uma abordagem estruturada e individualizada. O objetivo não é apenas reduzir a dor, mas restaurar estabilidade e confiança no movimento.

Os pilares fundamentais incluem:
– Reeducação do core profundo (transverso do abdómen, multífidos, diafragma e pavimento pélvico)
– Trabalho respiratório específico;
– Treino funcional adaptado às tarefas reais do dia a dia;
– Fortalecimento dos glúteos e estabilizadores da anca;
– Melhoria da mobilidade da coluna torácica e anca.

Sabia que melhorar o controlo respiratório pode reduzir significativamente a sobrecarga lombar?
No Clinical Studio Pilates o exercício terapêutico é sempre progressivo, específico e adaptado à fase do pós-parto de cada mulher.

Quando procurar ajuda?

Pode ser o momento de procurar avaliação fisioterapêutica se:
– A dor persiste há mais de três meses;
– A dor interfere com o cuidado do bebé;
– Existe sensação de instabilidade ou fraqueza;
– Surge sensação de peso pélvico;
– Teve um parto traumático;
– Suspeita de diástase abdominal.

Quanto mais cedo houver intervenção, melhores tendem a ser os resultados.

Conclusão

Viver com dor lombar crónica após a maternidade não deve ser normalizado.

A dor pode ser frequente.
Mas não é inevitável.

Com uma avaliação adequada e um programa de exercício terapêutico individualizado, é possível recuperar função, reduzir dor e prevenir recorrências.

Cuidar da mãe é cuidar da base da família.
Se sente que a dor faz parte do seu dia a dia, talvez seja o momento de ouvir o seu corpo e procurar acompanhamento especializado.

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